
Entrevistaram o Prof. de Biologia do 1º ano do Ensino Médio, Ricardo Paiva, ex-aluno do colégio, que trabalha aqui há doze anos, é especialista em formigas e grande interessado na conservação do ambiente do colégio. Leia abaixo a entrevista concedida à nossa equipe de reportagem sobre como é e como devemos cuidar do ambiente do colégio.
Fale sobre o campus do colégio. Na sua opinião, de que tipo é esse ambiente do qual fazemos parte?
O ambiente aqui do Santa Cruz é o que nós chamamos de alterado porque originalmente o espaço era uma Mata Atlântica, era uma floresta de beira de rio, tinham várzeas, alagava com facilidade. Com o tempo, vieram os seres humanos e construíram ruas, casas e com isso a cidade foi crescendo e o entorno do colégio também.
Quais são as espécies de árvores temos aqui?
O que é mais marcante aqui no colégio são as figueiras nas alamedas, que têm mais de cinqüenta anos. São árvores de origem asiática e lembram muito as figueiras que existem no resto da cidade, no Alto de Pinheiros, no Sumaré, Pacaembu... Temos também árvores brasileiras aqui dentro, leguminosas, que produzem frutos em forma de vagem. Ultimamente, as plantas que têm sido colocadas aqui dentro são nacionais: Pau Brasil, ipês, sibipirunas, manacás da serra, que são todos roxos. Temos uma mistura de árvores exóticas e árvores nacionais. E há o plátano, que é uma árvore de origem canadense, Essa última é o símbolo do colégio.
Por que foram escolhidas essas plantas para estar aqui no colégio e não outras?
Aqui no Brasil, temos o costume de fazer os nossos jardins com plantas de outros países, isso é uma tradição. Temos muitas plantas européias e asiáticas. Estamos começando a descobrir as plantas brasileiras.
As plantas do colégio têm em média quantos anos?
Essas grandes árvores devem ter mais de cinqüenta anos. Em média têm de 20 a 50 anos.
Além do aspecto decorativo, que outros detalhes da área verde do colégio podem ser observados?
Se for considerada área verde o que não é cimento, ela está diminuindo, pois estamos construindo cada vez mais. Por outro lado, tem cada vez mais árvores na escola, onde era gramado, há cada vez mais árvores. Sob esse ponto de vista está aumentando a área verde.
Se todos os alunos, professores e funcionários realmente observassem esses detalhes, o que mudaria?
Todos os alunos aqui do Santa têm a oportunidade de estar em contato com a natureza. Não é qualquer escola que tem uma área verde como esta. Então eu acho que a gente poderia se relacionar mais com o espaço da escola. Quando estão sentados no gramado, os alunos poderiam olhar para as árvores e pensar: “Puxa vida, aquela árvore está florescendo, está na época dela florescer!” Eu estimulo os alunos do colegial a olharem as árvores e saberem suas espécies, porque sabendo disso irão cuidar um pouco mais. É importante integrar essa área verde com o trabalho escolar e o nosso dia-a-dia.
Houve alguma diminuição da área verde do colégio por causa das obras que foram realizadas durante esses 50 anos?
Nossa área verde diminuiu bastante, pois construímos o teatro e ampliação do Ensino Médio, que é mais recente.
O que nós, alunos e funcionários, podemos fazer para melhorar o meio ambiente da escola?
Em primeiro lugar, devemos conhecer o ambiente da escola. Nós, professores, os alunos e os funcionários devemos olhar o colégio como uma fatia da natureza, que tem espécies de animais, espécies de plantas, invertebrados e outros animais. Se a gente se relacionar com o ambiente, podemos até fazer alguma coisa por ele, inclusive se preocupar com os mosquitos, as abelhas, os cupins... Umas das maneiras de preservar a área verde é planejar algumas aulas que ensinam como as árvores podem ajudar o meio ambiente.
As plantas têm a ver com os animais daqui?
Bastante, temos muitos passarinhos como o sabiá, pois não há gatos que os perseguem. São praticamente residentes aqui da escola, se alimentam aqui.
Que espécies de animais podemos observar freqüentemente aqui no Santa?
Podemos observar periquito, bem-te-vi, sanhaço, beija-flor, aves é o que a gente mais vê. Temos também muitos insetos, muitas libélulas. Como o rio está próximo, elas se reproduzem lá e vêm morar aqui. Então, nas tardes quentes o campão fica lotado de libélulas.
Existem mais animais vertebrados ou invertebrados aqui no colégio? Quais podemos observar de cada um desses grupos?
Muito mais invertebrados, com certeza. Aqui na escola tem muita formiga, é só você parar, ficar sentadinho num canto e olhar o chão que você vai ver formigas pretas, grandes, passeando em suas mãos. São formigas caçadoras. Às vezes tem um montinho no meio do gramado depois de uma chuva, são as formigas lava-pés das quais a gente morre de medo de pisar porque picam. Aqui, à noite tem uma formiga amarela de cabeça preta que vive dentro da madeira. Também há abelhas, por causa da quantidade de doces que a criançada come. Por causa disso, temos a precaução aqui na escola de tampar os lixos para não atrair muita abelha. Tivemos também na horta um problema com o caracol africano, gigante, que é uma praga que invadiu o Brasil. Até atrapalhou um pouco o trabalho da Educação Infantil no ano passado, pois foi necessário interditar a horta.
O que explica a grande quantidade de pássaros aqui?
São Paulo é uma metrópole, equivale a sete, oito cidades juntas, então temos uma mancha de cidade no meio de um ecossistema enorme, que é a Mata Atlântica. Os pássaros que vivem nesta região não têm onde pousar porque há muitas casas e prédios, então eles procuram áreas verdes e vêm pousar aqui, na USP, no Ibirapuera, nos bairros que têm muitas árvores... São todos oásis de área verde. Por isso, onde tem área verde, há mais pássaros do que se podia esperar. Em certos sítios no interior não se vê tantos pássaros quanto se vê em São Paulo.
O que devemos fazer para que o campus do colégio seja um ambiente que funcione bem e que possibilite um contato mais interessante com a natureza?
Se tivermos mais consciência das espécies que vivem aqui, se nos integrarmos a isso, teremos mais a sensação de que vivemos num mundo cheio de espécies.
Camilla Myrrha, Julia Villaça, Luiza Helito – 4ª D.
Ana Biderman, Manuela Buk, Marcelo Milko e Pedro Gianinni- 4ªA.